22-08-2008

  QUE RAIVA!

Por um momento o ar fica preso na garganta. O coração dispara. As pupilas dilatam e o nível de adrenalina fervilha no sangue, pondo-nos em alerta. Algo foi violado, roubado de nossos direitos. Os limites invisíveis e delicados do caráter humano são facilmente rompidos e então a raiva surge como mecanismo de defesa. A mente é invadida por pensamentos de injustiça, humilhação, negação, rejeição entre outros, consumindo-nos num processo de dor que muitas vezes nos levam a agir com intolerância, cinismo, tristeza, amargura, fúria, frustração e ódio.

A emoção ministra todo o pensamento que, num processo quase suicida, reproduz todo o sofrimento vivido ou por advir. O presente é esquecido, atropelado, renegado em função da realidade doída e inconscientemente mantida. Fantoches de irracionalidade seguimos arrastando o pesado fardo por longos períodos, quando não, por uma vida inteira.

Mesmo quando os sintomas da raiva são contidos os estragos não são menores. Além dos prováveis males orgânicos, seu campo energético é capaz de afetar o ambiente à volta, alterando o comportamento de colegas, parceiros, amigos e familiares.

Nossas emoções tem uma mente própria que pode ter opiniões bastante diversas das que tem a nossa mente racional.” – diz Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional.

O texto ainda demonstra que no processo de auto defesa os circuitos mentais buscam atalhos, desviando-se completamente do neocórtex, onde é traduzida para a linguagem do cérebro, indo do tálamo para a amígdala, que produz uma resposta mais rápida, porém menos precisa da situação.

Podemos concluir que a raiva, na maioria dos casos, nasce de um impulso mas é alimentada pela teimosia do pensamento, que potencializa sua força. Ao contrário de outros sentimentos, como a tristeza, a raiva energiza sua vitima compelindo-a a uma reação.

Maha Gosananda, monge Cambojano disse: “O ódio, deveras, nunca dissipou o ódio. Só o amor dissipa o ódio.” É fácil concordar com esta máxima quando no equilíbrio da razão e na paz do pensamento. Porém como controlar os impulsos sem sofrer?

A filosofia budista - bem como diversos autores - converge para o mesmo desfecho, concordando que a saída mais fácil para o controle da raiva é trazer à luz da consciência toda a aflição, direcionando o pensamento de forma contrária aos sentimentos que a justificam.

Assim, podemos deduzir que a raiva só existe em nível de pensamento, e que só pode ser dominada através deste, tornando-nos senhores de nossas emoções. A tarefa é quase homérica, mas como somente as maiores conquistas glorificam os homens, fica o desafio: QUE SUPEREM-SE OS MELHORES!

 
  Publicado por Alda Andreia Therkovsky, às 17:15:53
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